Fotografo: Portal Santarém
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Uma das réplicas que ficam em exposição na Praça de São Sebastião

Um dos símbolos da arte herdada de antepassados indígenas que habitavam o vale do rio Tapajós, a cerâmica tapajoara, representada por réplicas na Praça de São Sebastião, em Santarém, oeste do Pará, encantam moradores e turistas. Três peças fazem parte do acervo na área central da Cidade.

O design das peças produzidas pelos artistas plásticos Laurimar Leal e Renato Sussuarana chama atenção de quem visita o local. “Essas peças representam a história de Santarém. É uma representatividade bem viva do povo da Amazônia. Chama atenção de turistas que chegam à cidade. É a identificação de Santarém no contexto amazônico e brasileiro!”, aponta o jornalista, Jorge Serique.

A professora e historiadora Terezinha Amorim diz que Santarém se destaca no contexto histórico de formação e desenvolvimento da região do Baixo Amazonas do Pará. “Tudo isso faz parte da nossa cultura. A nossa arte encanta. Atualmente, a gente sente aquela pontinha de orgulho, porque a nossa cidade é vista, é cobiçada por outras pessoas que chegam aqui, e principalmente as que vêm com propostas de ajudar no processo de desenvolvimento da região”, declarou.

De acordo com o mestre ceramista, professor Elves Costa, os monumentos foram encomendados pelo então prefeito, Paulo Lisboa, no ano de 1978, na época da inauguração da Praça de São Sebastião, sendo responsáveis pela construção das peças os artísticas plásticos Laurimar Leal e Renato Sussuara.

Segundo ele, com o passar dos anos, os monumentos foram se desgastando e necessitaram de restauração, acontecendo neste ano, coordenado pela Cooperativa Puxirum. Participaram da restauração, os artistas plásticos Manoel Apolinário, Elves Costa, além de artesãos, artistas, estudantes da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (ETEEPA), da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), professores e colaboradores.

“O serviço de restauração começou no mês de maio, e surgiu a partir de movimentos nas redes sociais, por causa da secretaria responsável pelas praças ter pintado as réplicas nas cores azul e amarelo, sem nenhum critério técnico”, contou Costa.

Quando viu o movimento nas redes sociais, segundo ele, a Cooperativa fez uma reunião com a secretaria responsável e chegou a um acordo de fazer a restauração das peças. “Convidamos grandes mestres de Santarém para participar desse trabalho. A primeira etapa foi encerrada no dia 22 de junho. Ficaram prontos o vaso de gargalo, o vaso de cariátides e a estatueta de posição. Os muiraquitãs dos bancos serão restaurados, assim como dois conjuntos de chafariz de cariátides com um gargalo no centro. O material da restauração conseguimos através de doações e também de um repasse da Prefeitura de Santarém”, informou Costa.

ARTESANATO INDÍGENA

A cerâmica tapajoara ou santarena se desenvolveu entre os índios que habitavam as margens do Rio Tapajós. Segundo a arqueóloga Anna Roosevelt, os Tapajós seriam descendentes do povo de hábeis artesãos, este supostamente descendente dos Maias ou de Incas, que se desenvolveu na região de Santarém a partir do ano 1200 a.C.

Para ela, a beleza da cerâmica tapajoara lembra o estilo barroco e a antiga arte chinesa, devido os detalhes de suas peças zoomorfas de feições ornamentais muito análogas. “A maioria das peças foi encontrada em zonas de terra preta ou nas áreas conhecidas como bolsões. Por séculos, essa cultura ficou desconhecida da civilização moderna e, a partir do século XIX causou interesse ao ser divulgado por historiadores”, revelou Anna.

Segundo a historiadora Terezinha Amorim, as peças foram vendidas a colecionadores do Brasil e do exterior, o que fez com que elas, hoje, só possam ser encontradas em museus e em coleções particulares, em Santarém. Essa arte pode ser vista no Centro Cultural João Fona.

Fonte: Portal Santarém