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Santarém(PA), Quarta-Feira, 20 de Janeiro de 2021 - 01:32
09/01/2021 as 07:47 | Por Redação | 1070
Judiciário do Pará ignora laudo papiloscópico e inocente segue preso por crimes que não cometeu
Laudo papiloscópico da Polícia Civil de Santarém comprovam que digitais do acusado não batem com a do verdadeiro culpado
Fotografo: Reprodução
Marco Antônio Martins foi condenado por crimes cometidos por outra pessoa em Santarém-PA

No Brasil, não existem dados oficiais sobre a quantidade de acusados ou presos injustamente. Mas, segundo especialistas, os altos índices de prisões provisórias são um indicativo do grande número de pessoas punidas por crimes que não cometeram. Este é o caso de Marcos Antônio Martins, acusado, condenado e preso em Porto Velho por crimes cometidos por outra pessoa que usou seus documentos, extraviados em 1996, para praticar crimes em Santarém-PA.
Um laudo papiloscópico da Polícia Científica do Pará,  comprova a inocência de Martins, mas o Judiciário daquele Estado, se nega em reconhecer o laudo, ao apreciar o recurso da defesa. O documento da perícia comprova que está ocorrendo um engano, no entanto, o Poder Judiciário do Pará mantém Marcos preso. 
Um advogado que se dispôs a ajudar Martins pede ajuda à imprensa para divulgar essa injustiça em rede nacional, “pois está difícil exigir que o Judiciário paraense tome atitude para corrigir o erro deles”.
"Eu distribuí um HC antes do recesso, demonstrando a injustiça e o judiciário se negou apreciar, indeferindo a liminar, sem apreciar o Laudo. Impetrei novo HC no plantão e o Desembargador não deu a mínima para o Laudo papiloscópico da Polícia Civil, prova categórica de que não foi Marcos Antônio Martins quem cometeu os crimes”, afirma o advogado mato-grossense Caio Cesar de Souza Moreno.
A pedido da defesa, o Delegado/Diretor da 16° Seccional da Polícia Civil em Santarém-PA solicitou a elaboração do laudo papiloscópico pela Polícia Científica a fim de comparar as digitais do verdadeiro criminoso, preso à época dos crimes, com as digitais de Marcos Antonio Martins, chegando-se à conclusão de que não foi Marcos quem praticou os crimes de que é acusado em Santarém. Mesmo assim, o Judiciário se negou em inocentar e libertar Marcos, que segue preso em Porto Velho por erro judiciário do Estado paraense.
Há provas consistentes da inocência de Marcos Antônio Martins, detido por crimes que não cometeu. Apesar da comprovação de inocência, o judiciário paraense continua inerte.
Policiais prenderam Martins e alegam que "cumpriram todos os procedimentos legais para efetuar a prisão, tanto que foi recebida e ratificada pelo Judiciário". A Polícia reafirma o compromisso com o Estado Democrático de Direito.
Com mais de 881 mil presos no país, pelo menos 45% estão à espera de julgamento, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Minas Gerais é o terceiro Estado com o maior número de pessoas presas preventivamente, ficando atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro, onde existem mais de 34 mil presos nessa situação, o que corresponde a 44% da população carcerária. 
Existe uma crença de que é preciso achar um culpado. Depois que alguém assumiu essa culpa, as pessoas ficam satisfeitas. Por isso, muitas vezes existem provas induzidas, pessoas acusando as outras por vinganças. O que vemos hoje é que o Brasil se acostumou a condenar mesmo sem provas suficientes. Você tem a palavra da polícia, e só. 
A maior parte das condenações incorretas acontece na fase do reconhecimento do suspeito. No mundo, a estimativa é que, em 70% dos casos em que a pessoa foi condenada injustamente, o erro judicial tenha acontecido na etapa do reconhecimento. 
A prisão preventiva antecipa o dano da condenação. Até você provar, já se passaram quatro anos. Mas o erro judiciário é um fenômeno mundial, você tem polícias com estruturas precárias, investigações arcaicas e ultrapassadas baseadas em provas testemunhais e quase nada técnico. O que sabemos é que o reconhecimento é um método equivocado e acaba sendo a causa predominante dos erros. Para as investigações, ela é prova absoluta, e as polícias fecham os olhos para outras possibilidades.
Quando o erro acontece, não há como reparar. A injustiça abala no financeiro, no psicológico, no emocional. Já é complicado pensar se é possível reparar esses danos de alguma forma e, no Brasil, raramente temos indenizações – e quando tem são valores irrisórios.
Fonte: Expressão Rondônia




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