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Em média, dois adolescentes tiram a própria vida por dia, segundo pesquisas

A morte autoprovocada de jovens tem crescido em todo mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, ainda é bem pouco discutida, e vista quase como um tabu. No Brasil, a taxa de crescimento de casos de suicídio na faixa etária de 10 a 14 anos aumentou 40% em dez anos e 33,5% entre adolescentes de 15 a 19 anos. Em média, dois adolescentes tiram a própria vida por dia, segundo pesquisas. Com esses números preocupantes, é essencial que os profissionais de saúde, pais e educadores fiquem atentos aos sinais dados pelos adolescentes.

De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Faci, Melissa Fecury, o suicídio envolvendo crianças e adolescentes é resultado de múltiplos fatores de ordem ambiental, cultural, biológico e psicológico que impactam a vida de uma pessoa. “A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano de transição, em que pairam muitas mudanças físicas, compreende-se novas características sexuais e muitas dúvidas quanto à transição, às identificações e ao futuro que podem ocasionar muitas incertezas, conflitos pessoais e familiares, e, em alguns momentos, uma dor insuportável”, explica Fecury.

“Neste caso, pode, em algumas situações, fazê-lo buscar soluções imediatas por meio de comportamentos agressivos e suicidas. Então, em tese, não há um motivo ou padrões motivacionais que levam ao suicídio, mas sim um conjunto de múltiplas determinações, caso a caso”, acrescenta.

Na tentativa de identificar pontos de atenção, faz-se necessário aos pais estarem em alerta à vida escolar dos filhos, interações, se há algum tipo de relacionamento abusivo nos ambientes frequentados por eles, como são as interações virtuais e redes sociais. “Além, claro, de estabelecer, sempre que possível, contato e conversa olho no olho sobre o cotidiano, atividades e interesses da vida dessa criança ou adolescente”, recomenda Melissa Fecury.

Por conta da rotina corrida e das multitarefas, a empresária Luana Santos deu de presente para a filha de 8 anos um celular, mas os cuidados passaram a ser redobrados. “O celular facilitou muito a comunicação com a minha filha. Através dele, eu consigo saber se já está na hora de buscá-la no colégio, se já fez as atividades, entre outras coisas. Mas presenteá-la foi uma decisão tomada depois de muita conversa em casa”, conta.

“Eu procuro estar sempre atenta a tudo o que ela faz com ele. Recebo em meu celular notificações dos jogos e aplicativos que ela instala. Assim, consigo mensurar o conteúdo deles”, explica Luana Santos.

De acordo com a psicóloga, alguns sinais verbais ou comportamentais também podem chamar atenção dos conviventes, de acordo com estudos recentes da ONU, principalmente em tempos como os atuais, dentre eles: falar sobre querer morrer; sentimento insistente de culpa ou inadequação; vergonha ou sentir-se um fardo para os outros, referir sensação de vazio, desesperança, aprisionamento ou falta de razão e objetivo para viver; sentir-se insistentemente triste, ansioso ou cheio de raiva, com dificuldades de relacionamento e abuso de drogas lícitas ou ilícitas.

Uma vez identificado algum sinal de alerta, é importante que a criança ou adolescente esteja aberto a um acompanhamento terapêutico. Para isso, uma conversa preliminar é fundamental entre pais e filhos.

“É necessário prevenir o suicídio. Manter-se próximo e acompanhar as rotinas das atividades e o cotidiano das crianças e adolescentes é bem importante. É preciso ter diálogos abertos, esclarecer sobre os sistemas de apoio que estão à disposição deles, como a família e os amigos. Ouvir de forma atenta e empática é algo que pode ser feito também e, desde cedo, ofertar um ambiente de aprendizagem emocional constante no qual se comenta e discute sentimentos, afetos, prazeres e os desprazeres da vida”, orienta a psicóloga Melissa Fecury.

Fonte: Portal Santarém e Ana Laura Carvalho/Agência Eko