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Santarém(PA), Terça-Feira, 28 de Maio de 2024 - 07:36
15/04/2021 as 09:55 | Por Redação |
Cachoeira do Aruã contrasta entre paraíso ecológico e ponto de extração ilegal de madeira
Cachoeira do Aruã é uma comunidade ribeirinha localizada na região do Rio Arapiuns, distante 100 quilômetros da sede do Município de Santarém
Fotografo: Reprodução
Ilegalidade na extração de produtos florestais virou alvo de operações da Polícia Federal

Um paraíso ecológico localizado na zona ribeirinha de Santarém, no oeste do Pará contrasta entre cartão-postal e ponto de exploração madeireira ilegal. Cachoeira do Aruã é uma comunidade ribeirinha localizada na região do Rio Arapiuns, distante 100 quilômetros da sede do Município de Santarém. 

No local, turistas, moradores e visitantes se encantam com as belezas naturais da Cachoeira, bem como, os madeireiros se movem na penumbra entre a legalidade, reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e a ilegalidade na extração de produtos florestais, virando alvo de operações da Polícia Federal. 

Por conta da extração de madeira, no período de menos de um mês, o titular da pasta do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou duas vezes pátios de estocagem do produto florestal, na Comunidade de Cachoeira do AruãEle foi alvo de críticas de ambientalistas e profissionais de segurança pública. 

As visitas de Salles ocorreram três meses depois da Polícia Federal deflagrar a operação intitulada “Handroanthus GLO”, que realizou a maior apreensão de madeira da história do Brasil. Durante a operação, foram apreendidos 131 mil m³ de toras de madeira, equivalente a carga de 6.243 caminhões, em pontos desmatados ao longo dos rios Mamuru e Arapiuns, na fronteira do Pará com o Amazonas. A carga é avaliada em pelo menos R$ 55 milhões. A operação ocorreu sob comando do superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva. 

O fio para o início das investigações foi a apreensão em meados de novembro de uma balsa em Parintins, município amazonense que faz fronteira com o Pará. A embarcação tinha 3 mil metros cúbicos de madeira extraídos em terras paraenses. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulono dia 05 deste mês, Saraiva disse que na PF não vai passar boiada, em referência à frase dita por Salles em uma reunião ministerial em abril do ano passado. 

Em entrevista à imprensa local, no dia 07 deste mês, na semana passada, Salles disse que uma “demonização” indevida do setor vai contribuir para aumentar o desmatamento ilegal. O ministro criticou a demora para a investigação ser concluída e afirmou que as informações dos empresários são “coerentes de não haver a propagada ilegalidade”. 

Para ele, será talvez a primeira vez na história que um grupo que dá as caras pode ser chamado de organização criminosa. “Mas isso quem vai dizer é a investigação. Não tem sentido a gente não ter resposta conclusiva depois de cem dias de apreensão do material”, afirmou Salles. 

Por outro lado, Saraiva afirmou à Folha, “que todo o material apreendido é produto de crime e que as investigadas não são empresas, mas uma organização criminosa”. 

NOTÍCIA-CRIME 

No início desta semana, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A peça foi redigida pelo superintendente, Alexandre Saraiva, e acusa Salles e o senador Telmário Mota de atuarem em favor de investigados da operação “Handroanthus GLO”, que mirou extração ilegal de madeira no Amazonas e no Pará, em dezembro de 2020. 

No documento enviado ao STF, Saraiva diz que além de dificultar a ação de fiscalização ambiental, Salles “patrocina diretamente interesses privados de madeireiros investigados e ilegítimos no âmbito da Administração Pública". Para Saraiva, Salles integra na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da operação “Handroanthus” com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza. 

Por: Manoel Cardoso 

Fonte: Portal Santarém 

 




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