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26/05/2023 as 14:48 | Por Redação |
BELÉM – Projeto de capacitação profissional transforma a vida de venezuelanos
Desde o seu início, em 2021, o projeto já passou por três fases, atendendo um total de aproximadamente 45 venezuelanos
Fotografo: Reprodução
Alunos venezuelanos do projeto recebendo orientações antes da prática em laboratório do IFPA Campus Belém

Um projeto inovador de capacitação profissional vem transformando a vida de venezuelanos na cidade de Belém. Desde o seu início, em 2021, o projeto já passou por três fases, atendendo um total de aproximadamente 45 venezuelanos em busca de oportunidades no acirrado mercado de trabalho. 

 

Na primeira fase, no ano de 2021, o projeto deu seus primeiros passos, atendendo 20 venezuelanos, a maioria deles pertencentes à comunidade indígena Warao. Os participantes foram capacitados e certificados como soldadores, graças à parceria com o IFPA (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará), campus Belém. 

 

Cerca de 12 alunos dos cursos técnicos em mecânica, engenharia de materiais e gestão pública do IFPA se envolveram no projeto, validando a carga horária como estágio ou prática profissional. 

 

Alunos venezuelanos em aula inaugural do projeto em 2021. Imagem: Ascom Reitoria/IFPA 

 

Na segunda fase, em 2022, mais 10 venezuelanos foram atendidos, juntamente com outros 10 alunos que participaram da primeira etapa e foram selecionados para a segunda fase. Nessa etapa, os participantes puderam aplicar na prática os conhecimentos adquiridos na soldagem, realizando serviços de solda. 

 

Além disso, foi elaborado um plano de negócios em parceria com o Banco do Povo, da Prefeitura de Belém, a fim de solicitar empréstimos para a aquisição de equipamentos para os egressos do curso montarem seus próprios negócios na área de soldagem. Até o momento, aproximadamente três venezuelanos já foram contemplados com a verba e adquiriram as máquinas necessárias, enquanto outros três aguardam a liberação dos recursos. 

 

Chegando à terceira fase, em 2023, o projeto está capacitando mais 12 venezuelanos no curso de Fabricação Mecânica, que abrange conhecimentos em soldagem, ajustagem e tornearia. Essa ampliação do currículo visa aumentar as chances dos participantes de obterem oportunidades no mercado de trabalho altamente competitivo. 

 

Em entrevista ao Ver-o-Fato, o idealizador e responsável pelo projeto, professor Hélio Almeida, contou mais sobre o projeto e seus resultados: 

Ver-o-Fato: Quantos alunos venezuelanos receberam formação pelo projeto? 

Hélio Almeida: Foram atendidos até agora por volta de 45 venezuelanos. 

Ver-o-Fato: Quais os conhecimentos adquiridos e a formação que os alunos terão após o curso? 

Hélio Almeida: Os conhecimentos adquiridos são nas áreas da soldagem, ajustagem e tornearia. Antes, a formação era de soldador, agora a formação é de auxiliar em Fabricação Mecânica. 

Ver-o-Fato: Quais as principais dificuldades encontradas no decorrer das turmas, ou fases já concluídas? 

Hélio Almeida: A comunicação foi um problema grande no início, pois falam em espanhol e, em outras ocasiões, se comunicam na língua Warao que é desconhecida por nós. A merenda que não conseguimos através de financiamento, mas sempre conseguíamos por meio de coleta, também foi desafiador. Finalmente, outra dificuldade foi a deles não terem equipamento para trabalhar por conta própria após a conclusão do curso de soldador, o que já foi minimizado em parte devido à disponibilização de recurso pelo Banco do Povo. 

Ver-o-Fato: Quais os casos de sucesso que o projeto já apresentou com alunos já empregados na área de formação ou empreendendo? 

Hélio Almeida: Dois venezuelanos foram trabalhar com solda em empresas ou pequenos estabelecimentos. Inclusive um deles passou a trabalhar soldando a ferragem para a fabricação de vigotas para a aplicação em lajes de construção civil. Outros seis estão iniciando o seu trabalho por conta própria. 

Ver-o-Fato: Como está sendo feito o acompanhamento ou assessoramento dos alunos egressos do projeto? 

Hélio Almeida: O projeto tem parceria com a Funpapa, que administra o abrigo do Tapanã, que é o local onde boa parte dos venezuelanos que fizeram o curso, ou estão fazendo, moram. Eles fazem este monitoramento e encaminham os alunos ao IFPA. Eles também tem o apoio do parceiro IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) que também ajuda no transporte. Além disso, de tempo em tempo vamos até aqueles venezuelanos que moram em Outeiro. 

Ver-o-Fato: Como foi que surgiu a ideia, a motivação para ofertar esse curso para atender esse público específico? 

Hélio Almeida: A motivação foi verificar a necessidade desta comunidade precisar de capacitação profissional para conseguir um emprego e garantir sua própria renda para sustentar a sua família, sem precisar ficar pedindo dinheiro nas ruas. 

 

Hélio Almeida, é professor do IFPA campus Belém há 20 anos, sempre trabalhando com disciplinas na área de soldagem (teoria e prática). Tem formação em Engenharia Mecânica e possui Doutorado em Materiais em Fabricação Mecânica com ênfase em Soldagem. 

Professor Hélio Almeida, idealizador do projeto com os alunos venezuelanos. 

 

O projeto foi apoiado pela agência local do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). 

 

Com informações do Ver-O-Fato 

 

 




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