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Santarém(PA), Domingo, 11 de Abril de 2021 - 19:31
08/04/2021 as 09:05 | Por Redação | 936
Ministro ignora operação da PF e diz que madeira apreendida em Santarém é de origem legal
A maior apreensão de madeira da história do Brasil produziu uma situação inusitada, no oeste do Pará
Fotografo: Reprodução
Ricado Salles visitou pátio onde madeira apreendida em 12/2020 está sendo estocada em Santarém

Em reunião com representantes dos madeireiros do oeste do Pará, realizada na quarta-feira, 07 de abrilno Hotel Açay, em Santarém, oeste do Pará, o titular da pasta do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles declarou que a madeira apreendida, em dezembro de 2020, em operação da Polícia Federal, no rio Arapiuns, tem origem legal. 

Em companhia de profissionais de imprensa, Salles visitou o local onde a madeira está sendo estocada, no rio Arapiuns, onde afirmou que todo o estoque foi licenciado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas). 

Durante a reunião em Santarém, com empresários alvos da maior apreensão de madeira da história do Brasil, Salles recebeu um documento assinado por empresários, e garantiu que vai apoiar a liberação da madeira, após revisar a manifestação da classe. 

Realizada em dezembro de 2020a operação intitulada “Handroanthus GLO”, foi comandada pelo superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva. 

A maior apreensão de madeira da história do Brasil produziu uma situação inusitada, no oeste do Pará. A Polícia Federal, responsável pela operação que reteve a carga, garante que o produto de origem florestal é fruto de desmatamento ilegal. Porém, Salles, diz o contrário e quer a liberação da madeira. 

A preocupação que nós temos diz respeito à velocidade com que essa resposta tem que ser dada. Algumas madeiras já estão apodrecendo, com brocas, com fungos. O que nós vimos aqui na semana passada em relação às árvores foi que todas estão etiquetadas. Os proprietários que aqui vieram informaram que são áreas que têm escrituras, cujos planos de manejo foram apresentados na Secretaria de Meio Ambiente do Pará, que obtiveram as licenças. Essas foram as afirmações dos proprietários”, declarou Salles. 

Na última segunda-feira, 5, em entrevista à “Folha de S. Paulo”, o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, criticou a atitude do ministro de defender os madeireiros e disse que “na Polícia Federal não vai passar boiada”. 

O delegado fazia referência à reunião ministerial de abril de 2020, quando Salles afirmou que o governo deveria aproveitar que atenção da imprensa estava voltada para a pandemia e ir passando a boiada, ou seja, mudando a legislação ambiental. 

ENTENDA A OPERAÇÃO 

Polícia Federal divulgou No dia 21 de dezembro de 2020, a maior apreensão de madeirada história do Brasil. Quarenta e três mil e setecentas toras foram localizadas em vários pontos desmatados no Pará ao longo dos rios Mamuru e Arapiuns. A área é do tamanho de Brasília. 

O volume de madeira apreendida é estimado em 131 mil metros cúbicos, mas segundo o Ministério Público Federal do Amazonas, esse número pode ser ainda maior. 

O fio para o início das investigações foi a apreensão em meados de novembro de uma balsa em Parintins, município amazonense que faz fronteira com o Pará. A embarcação tinha 3 mil metros cúbicos de madeira extraídos em terras paraenses. 

Na época, o procurador da república Leonardo Galiano, responsável pelo caso, afirmou que o resgate de toda essa madeira foi feito em colaboração com o Exército. Galiano revelou, ainda, que a madeira desmatada seguiria para fora do país. 

A operação foi chamada deHandroanthus GLO”, fazendo referência ao nome científico do Ipê. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a espécie é a mais explorada da região amazônica. Já GLO faz referência ao decreto presidencial que autorizou a atuação das Forças Armadas, na Garantia da Lei e da Ordem, no combate ao desmatamento ilegal e a focos de incêndio na Amazônia. 

NOTA DE REPÚDIO 

Em nota publicada em uma rede social, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se solidarizou e reconheceu o importante trabalho que o delegado da Polícia Federal no Amazonas, Dr. Alexandre Saraiva, vem desenvolvendo no combate aos crimes ambientais. 

É inaceitável e vergonhosa a postura do ministro Ricardo Salles, que busca lançar dúvidas sobre a qualidade do trabalho de investigação realizado pela Polícia Federal, sob a liderança de Saraiva, que levou à maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil”, afirmou Marina. 

Para ela, é normal que os advogados das empresas envolvidas questionem o trabalho da Polícia Federal. “Afinal são pagos para defender os interesses de quem representam. Ao ministro do Meio Ambiente do Brasil compete defender a lei, as instituições públicas e, acima de tudo, o artigo 225 da Constituição Federal. Durante minha gestão no MMA, a Polícia Federal era uma das principais parceiras no combate ao desmatamento da Amazônia. Entre 2003 e 2008 realizamos conjuntamente mais de 20 grandes operações para desmonte de quadrilhas especializadas em crimes ambientais, como por exemplo, a histórica Operação Curupira”, garantiu Marina. 

No conjunto das operações, segundo ela, foram presas mais de 600 pessoas, entre elas, 115 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), 19 servidores públicos federais e estaduais, além de empresários, contadores, advogados e lobistas de madeireiros. 

Foram apreendidas cerca de 1 milhão de m³ de madeira, o que daria uma fila de 40 mil caminhões com cerca de 500 km de extensão, que é a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo; e foram expedidos R$ 3,3 bilhões em multas. Esses resultados foram fundamentais para reduzir o desmatamento da Amazônia, as queimadas e a retirada ilegal de madeiras da região e, a participação da Polícia Federal no conjunto de órgãos que trabalhavam com o MMA, garantiu em grande medida a efetividade do esforço governamental para proteger e valorizar a parte brasileira da maior floresta tropical do planeta”, pontuou Marina. 

Por: Manoel Cardoso 

Fonte: PortaSantarém 

 




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