Fotografo: Reprodução
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Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública. Quase 1 bilhão de pessoas vivem com transtorno mental, 3 milhões morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. E agora, bilhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pela pandemia da COVID-19, que está causando um impacto adicional na saúde mental das pessoas. 
“Uma pandemia como a atual implica em uma perturbação psicossocial que pode ultrapassar a capacidade de enfrentamento da população afetada, considerando, inclusive, que a população total do país sofre um impacto psicossocial em diferentes níveis de intensidade e gravidade”, afirma a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Faci, professora Melissa Fecury. 
Ainda segundo ela, estudos consolidados do mundo inteiro mostram que violação de direitos humanos comprometem a saúde mental, assim como a ausência de políticas de proteção social, discussão e vivência própria de temas como machismo, violência doméstica, diferenças salariais, de gênero, atribuição de cuidados dos filhos exclusivamente, às mulheres, a questão racial, as reformas trabalhista e previdenciária. “Todas essas discussões e vivências podem atentar contra nossa saúde mental, por isso existe a necessidade de um olhar atento dos profissionais da saúde mental e da necessidade de políticas públicas de prevenção e acolhimento”, acrescenta Melissa Fecury.
Psicólogos clínicos e da saúde, bem como psiquiatras e assistentes sociais, devem ser procurados quando a pessoa percebe que está perdendo controle sobre suas emoções, perdendo equilíbrio emocional e psicológico e também quando se sente sem suporte psicossocial. “Se você não consegue sair dessa aspiral, peça ajuda”, recomenda Fecury.
Após ter uma longa crise de ansiedade em público, a publicitária Ádria Bessa buscou ajuda psicológica e já no primeiro dia de tratamento percebeu a melhora em seu estado emocional. “Senti melhora no mesmo dia, quando desabafei muito sobre tudo o que eu sentia”, conta Ádria, que segue com as sessões de terapia há um ano. “Me sinto muito melhor, estável psicologicamente e equilibrada”, avalia.
Dentro de casa, algumas atividades simples, segundo a psicóloga, podem ajudar no processo de controle das emoções. “Experimente outras formas de se expressar, como pinturas, desenho, escrita, música ou dança, jogos de memória e palavras cruzadas. Os jogos de tabuleiro e uso consciente das redes sociais podem ser interessantes para dinamizar a memória e tirar o foco das dificuldades”, declara Melissa Fecury.
Pedalar, correr, pintar, ouvir música e sair com os amigos são atividades que complementam a terapia e têm ajudado Ádria Bessa a encarar os dias com mais leveza. Mas ela reforça a necessidade do acompanhamento com um profissional. “É necessário. Embora eu saiba que não é algo tão acessível, existem locais na cidade que disponibilizam atendimento gratuito ou de baixo custo. Terapia é algo que todo mundo deveria ter acesso. Mudou a minha vida”, reconhece.
Fonte: Portal Santarém e Ana Laura Carvalho