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Santarém(PA), Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020 - 02:28
22/10/2020 as 09:44 | Por Redação | 322
Covid-19 atinge 132 povos indígenas da Amazônia Brasileira
Dados da COIAB apontam que, desde o início da pandemia até 19 de outubro, houve 26.993 casos confirmados da doença entre os povos indígenas
Fotografo: Reprodução
Entre os estados, o Amazonas lidera com 6.586 casos e 210 mortes; seguido do Pará com 5.500 casos e 91 mortes

Uma estatística feita pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), por meio de boletins informativos e notas de falecimento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), revela que 132 povos indígenas de 9 estados das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste foram atingidos pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Dados da COIAB apontam que, desde o início da pandemia até o dia 19 de outubro de 2020, houve 26.993 casos confirmados da doença entre os povos indígenas; 704 casos suspeitos e 685 mortes. Entre os estados, segundo a COIAB, o Amazonas lidera os casos de Covid-19 entre os indígenas no Brasil, com 6.586 casos confirmados, 150 casos suspeitos e 210 mortes. Em seguida, de acordo com a COIAB, vem os estados do Pará com 5.500 casos confirmados, 232 casos suspeitos e 91 mortes; Mato Grosso com 3.483 casos confirmados, 224 casos suspeitos e 139 mortes; Roraima com 3.289 casos confirmados, 53 casos suspeitos e 89 mortes; Acre com 2.233 casos confirmados, 3 casos suspeitos e 27 mortes; Maranhão com 1.909 casos confirmados e 69 mortes; Rondônia com 1.513 casos confirmados, 28 casos suspeitos e 30 mortes; Amapá com 1.562 casos confirmados, 10 casos suspeitos e 17 mortes, além de Tocantins com 918 casos confirmados, 4 casos suspeitos e 13 mortes.
Desde a primeira morte de uma indígena Borari, no dia 19 de março, em Santarém, oeste do Pará, e o primeiro caso confirmado de contaminação da jovem Kokama, de 20 anos, Agente Indígena de Saúde, no dia 25 de março, no município Santo Antônio do Içá, no Amazonas, a COIAB informou que está realizando o monitoramento da situação da Covid-19 entre os povos indígenas da Amazônia Brasileira.
Diariamente, segundo a COIAB,lideranças das organizações de base e profissionais da Saúde Indígena relatam sobre novos casos de contaminados e mortes que não são notificados pelos órgãos públicos, bem como contam sobre as dificuldades que estão enfrentando para serem assistidos nos territórios indígenas e no sistemapúblico de caúde das cidades.
A partir dessas informações, de acordo com a COIAB, ocorre o levantamento, a sistematização e a divulgação dos dados de casos suspeitos, infectados e falecimentos através do Informativo “Covid-19 e Povos Indígenas na Amazônia Brasileira”.
A COIAB destaca que esse monitoramento, além de orientar as estratégias e ações de combate à Covid-19, têm revelado também a subnotificação dos órgãos públicos e a omissão criminosa do governo brasileiro no atendimento à saúde dos povos indígenas, assim como tem demostrado como o novo vírus tem atingido as aldeias de forma diferenciada e grave.
VIOLAÇÕES DE DIREITOS INDÍGENAS NA PANDEMIA
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) denunciou no dia 6 de outubro último, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), as principais violações cometidas contra os direitos e a vida dos povos indígenas que aconteceram nos últimos sete meses da pandemia da Covid-19. A ação foi feita em conjunto com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a organização Indian Law,que integrou as audiências do 177º período de sessões da comissão, que tratou sobre os impactos do vírus entre indígenas. O teor das denúncias abordou o papel do governo Bolsonaro, no agravamento das violações neste período de crise sanitária.
Segundo a APIB, mais de 50% dos povos indígenas do Brasil já foram atingidos diretamente pelo novo coronavírus, até setembro de 2020. “Uma situação alarmante que se agrava a cada dia, pois além da ameaça do vírus, o racismo, o desmatamento ilegal, o agronegócio, a ação criminosa de grileiros e tantos outros crimes seguem avançando para dentro dos territórios”, disse, em nota, a APIB.
Para a APIB, o Governo Federal tem sido o principal vetor para disseminação da Covid-19 entre indígenas, seja pela omissão na atenção aos povos ou seja pela interferência direta com ações que estimulam o aumento de crimes nos territórios indígenas. “Discursos carregados de racismo e ódio, decretos, medidas provisórias e projetos de lei que pretendem legalizar crimes e diminuir os direitos constitucionais dos povos indígenas, marcaram as ações do atual presidente e do alto escalão do governo federal durante essa crise humanitária e sanitária global”, apontou a APIB.
Por: Manoel Cardoso
Fonte: Portal Santarém




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