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Santarém(PA), Sexta-Feira, 04 de Dezembro de 2020 - 08:54
01/12/2019 as 20:44 | Por Da Redação | 2014
Brigadistas negam crime e afirmam que foram humilhados na operação "Fogo do Sairé"
Acusados negam ter ateado fogo na APA Alter do Chão, em troca de doações financeiras
Fotografo: Tiago Silveira
Os quatro brigadistas concederam entrevista coletiva neste domingo, no Belo Alter Hotel

Em entrevista coletiva realizada na tarde deste domingo, 01, no Belo Alter Hotel, em Alter do Chão, os quatro brigadistas presos na operação "Fogo do Sairé", em Santarém, oeste do Pará, reafirmaram que estavam em locais diferentes, no dia que iniciou o incêndio na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão.

Eles foram submetidos a três dias de cárcere na Central de Triagem do Presídio de Cucurunã, em Santarém, acusados de crime ambiental.

Os brigadistas negam ter ateado fogo na APA Alter do Chão, em troca de doações financeiras.

"Foi estarrecedor pensar que a gente estava sendo acusado de um crime ambiental, se tudo que a gente faz há muito tempo, é proteger o meio ambiente", declarou o brigadista Daniel Gutierrez Govino.

Ele conta os horrores que viveu juntamente com seus amigos, no cárcere, em Santarém. "Tivemos os nossos cabelos cortados. Também foi constrangedor passar por tudo isso e ver o sofrimento de nossas famílias e amigos", afirmou Daniel.

A decisão de soltar Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, no dia 28 de novembro, partiu do juiz Alexandre Rizzi, titular da Vara Criminal de Santarém, que um dia antes havia negado a liberdade em audiência de custódia.

Os brigadistas apontam injustiça e explicam fragilidades de inquérito que os levou à prisão. Durante a entrevista, eles fizeram o seguinte pedido: "Só queremos que nossas vidas voltem ao normal".

Os quatro voluntários da Brigada Alter do Chão esclareceram informações mentirosas que circularam sobre o grupo do qual que fazem parte.

Eles afirmaram que estão sendo vítimas de uma grande injustiça. "A missão da Brigada de Incêndio de Alter do Chão é a proteção da floresta. Lutamos em defesa da floresta, não contra ela, como nos acusam", defendeu Daniel Govino. Ele lembrou que o grupo trabalha também com prevenção, com educação e articulação dos atores de Alter e Santarém, como as prefeituras, Secretaria de Meio Ambiente, Bombeiros e Polícia Militar. "A gente agora só quer continuar com esse trabalho e voltar a nossa vida normal", disse.

Essa foi a primeira coletiva dos integrantes da Brigada Alter do Chão -- os quatro foram libertados na última quinta-feira, mas com restrições no seu direito de ir e vir. Ele têm, por exemplo, que estar em casa entre 21h e 6h se não estiverem trabalhando.

Os brigadistas fizeram questão de deixar claro que esperam que a verdade venha à tona e que sua inocência seja comprovada. "O trabalho da Brigada é totalmente voluntário. Fazemos nosso dinheiro com nossos trabalhos comerciais. E tanto um quanto o outro estão parados enquanto sofremos essa injustiça", disse Daniel.

ACUSAÇÃO QUESTIONADA

O motivo para a decretação da prisão preventiva dos quatro brigadistas foi a acusação de que eles haviam iniciado o grande incêndio que aconteceu em Alter do Chão em meados de setembro. Mas, como eles lembraram na coletiva, todos os quatro sequer estavam na área do fogo. Daniel realizava um trabalho de fotografia e turismo na Flona (Floresta Nacional) Tapajós. Marcelo também estava em atividade turística devido ao primeiro dia de uma festa local, o Sairé. Gustavo se encontrava no interior de São Paulo, no casamento do irmão de sua namorada. João estava em casa com sua família.

Marcelo Aron Cwerver relatou o momento em que os policiais chegaram à sua casa para prendê-lo. "Eles chegaram bem cedo. Minha esposa e meus filhos ainda estavam dormindo. No começo pensei que se tratava de alguma coisa que acontecia ali perto, na rua, que eles estavam entrando para pedir algum tipo de auxílio", contou.

Por: Manoel Cardoso

Fonte: Portal Santarém

 




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