Fotografo: Reprodução
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Pescada-branca foi escolhida para a pesquisa por ser um peixe de interesse comercial na região

A pesquisa "Metazoários parasitos de Plagioscion squamosissimus (Heckel, 1840) (osteichthyes: sciaenidae) de lagos de várzea da Amazônia brasileira" investigou a diversidade de parasitos que podem ser encontrados na pescada-branca, um dos peixes mais comuns na região. O estudo, desenvolvido por Darlison Chagas de Souza e orientado pelo professor Lincoln Lima Corrêa, é resultado da primeira dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBEES), defendida em 30 de julho de 2019 na Universidade Federal do Oeste do Pará.

Os parasitos são organismos que desenvolvem uma relação parasitária com o hospedeiro, por meio da qual retiram nutrientes para sua sobrevivência. Essa relação pode resultar em doença para o peixe, como dificuldade de locomoção, comprometimento dos olhos, dificuldades de respiração, emagrecimento, além de alterações dos padrões hematológicos.

A pescada-branca (Plagioscion squamosissimus) foi escolhida para a pesquisa por ser um peixe de interesse comercial na região. Segundo o pesquisador Darlison de Souza, a espécie tem um aspecto comercial não somente pelo consumo da sua carne, mas também na pesca esportiva. “Identificamos a necessidade de se estudar esse peixe devido aos poucos registros sobre ele, principalmente na região amazônica, onde tem grande importância comercial, estando entre as 12 espécies mais consumidas na região”, disse ele.  Também destacou que é preciso conhecer a diversidade parasitária que acomete a pescada para avaliar os futuros danos que podem trazer à produção comercial.

As amostras do peixe foram coletadas em dois pontos: uma no rio Amazonas, no Lago Grande do Curuai; outra na foz do rio Tapajós, próximo à cidade de Santarém. Foram coletados para a pesquisa 75 peixes. A coleta foi realizada em agosto de 2017 e março de 2018, em parceria com a Universidade de São Paulo (Unifesp) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com apoio financeiro a um projeto coordenado pelo professor Edson Aparecido Adriano, que possibilitou o uso de um barco com laboratório. Nesse projeto, além dos pesquisadores da Unifesp, participaram como integrantes colaboradores do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) da Ufopa, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP (Pirassununga), da Universidade Estadual Wright (Wright State University, Ohio, EUA) e do Museu Britânico de História Natural (Natural History Museum British, Reino Unido). “Os peixes eram coletados e imediatamente levados para o laboratório no interior da embarcação, onde fazíamos a medição do comprimento e peso. Em seguida, olhos, brânquias, intestinos e nadadeiras eram retirados para a pesquisa parasitológica”, descreveu Darlison.

As análises da amostragem apontaram mais de 3 mil registros de parasitos, com a existência de 16 espécies, entre as quais: mixozoários, trematódeos, monogêneas, nematoides, acantocéfalos, cestódeos e crustáceos. O resultado inédito é a identificação de seis espécies de parasitos que ainda não tinham sido registrados na pescada-branca.

Nas análises, os peixes não apresentaram alterações físicas, o que, segundo o pesquisador, é muito importante. “Encontramos peixes até com 400 parasitas, mas no quadro geral de sanidade, o animal não apresentou alteração. No ambiente natural, em geral, os peixes que apresentam alterações, geralmente, são predados”, informou Darlison. Mas, ele também destacou que os parasitos podem causar perda de peso, alterações hematológicas, alterações no crescimento ou mesmo no desenvolvimento corporal dos hospedeiros. “Essa relação dos parasitos com os peixes, provavelmente, é muito antiga. Então pode-se dizer que os peixes estão acostumados com os parasitos. Também, como trabalhamos em ambiente natural, os peixes que podem apresentar alterações, provavelmente, são predados por seus predadores”, acrescentou.

Relação com a saúde do consumidor

Na pesquisa, houve registro de um gênero de nematoide, o Anisakis, que, na região asiática, ocasiona casos de infecção humana. No entanto, na região amazônica, não foram realizados testes quanto ao potencial zoonótico desse parasito e, portanto, não se têm registros nesse campo.

De acordo com o pesquisador, esse resultado serve de alerta para que o pescado não seja consumido sem cozimento. “Quando o peixe é consumido cozido, frito ou assado, as formas parasitárias tendem a ser eliminadas porque são degradadas pela temperatura. Só precisamos ter o cuidado com o cozimento para poder consumirmos de forma segura”, destacou.

Publicações

As atividades ligadas à produção científica já resultaram em publicações nacionais e internacionais. A primeira publicação descreveu um novo registro de infecções para um trematódeo, no rio das Velhas. Este estudo teve como objetivo descrever o parasitismo de H. malabaricus, provenientes do alto rio das Velhas, bacia do rio São Francisco, registrando a primeira ocorrência de parasitismo ocular por I. dimorphumO artigo foi publicado em Helminthologia (confira aqui).

Outro trabalho foi um artigo que trata da caracterização das formas morfológicas do tripanossoma de Loricarides, acaris da região amazônica. Este estudo teve como objetivo a comparação morfológica de três morfotipos de Trypanosoma spp. parasitos de quatro espécies de loricarídeos na Amazônia brasileira. Confira aqui o artigo publicado em Biologia.

Também gerou um capítulo de livro: "Hematologia de sete espécies de peixes do rio Araguaia, estado de Goiás", no livro Biotecnologia e Sanidade de Organismos Aquáticos, publicado pela Associação Brasileira de Patologia de Organismos Aquáticos.

Um artigo, já aceito para publicação em Annals of the Brazilian Academy of Sciences, deve ser publicado em breve e destaca a sanidade de organismos aquáticos.

Fonte: Portal Santarém e Ufopa